terça-feira, 3 de maio de 2016

Qual é a temperatura mais baixa que o ser humano pode suportar?

Você é do tipo que não consegue entender como seu amigo consegue sair de bermuda e camiseta em uma manhã fria, enquanto você está coberto da cabeça aos pés? Então, certamente, já deve ter pensado por que isso acontece e qual é a menor temperatura que conseguimos suportar. A capacidade de aguentar baixas temperaturas varia de um organismo para o outro e leva em conta algumas características físicas e ao "treinamento" que o corpo acaba sendo exposto à medida que passa a viver em temperaturas constantemente baixas. Além disso, existem dois outros fatores: vento e tempo de exposição. Em seu livro "A vida no limite — a ciência da sobrevivência", a escritora francesa Frances M. Ashcroft afirma que em um local sem ventos, uma pessoa adequadamente vestida consegue sobreviver a uma temperatura de até -29ºC. Agora, se o vento for de 16km/h, a temperatura cai para -44º e a pele congelaria em um ou dois minutos. Se o vento fosse de 40 km/h, a temperatura seria equivalente a -66ºC, congelando-a em menos de 30 segundos. Isso acontece porque quanto maior a velocidade do vento, maior será o calor retirado da superfície da pele. Portanto, maior sensação de frio e maior dificuldade do corpo manter-se aquecido. Para o pesquisador John Castellani, do Instituto de Pesquisa do Exército dos EUA, quando a temperatura chega a -27ºC, a possibilidade de congelamento da pele começa a ser mais real. Em alguns experimentos, a exposição à temperatura causou queimaduras em menos de 30 minutos. 

Na água é ainda pior O frio, a hipotermia e, consequentemente, a morte, acontecem muito mais rápido quando mergulhamos em águas geladas. Isso se dá porque a água é um excelente condutor de calor (25 vezes mais eficiente que o ar), ou seja, o corpo precisa trabalhar muito mais para manter-se aquecido. De acordo com Frances, um mergulho em um lago a -5ºC causaria hipotermia em menos de 30 minutos. A perda de calor na água é ainda maior quando a pessoa se movimenta, já que o movimento acaba dissipando a camada de água que foi aquecida e a substituindo por uma nova camada de água fria. O problema é agravado ainda porque o exercício aumenta a circulação nas extremidades, onde a perda de calor é maior. Como o organismo reage ao frio Ao sermos expostos a baixas temperaturas, a primeira providência que o organismo toma é tentar conservar o calor do corpo e, ao mesmo tempo, concentrá-lo em órgãos maiores e estratégicos para nos manter vivos. Para isso, os vasos sanguíneos da pele se contraem, desviando o sangue aquecido da superfície para o interior do corpo (é por isso que a pele fica pálida). Nesse estágio, é comum que as pontas dos dedos comecem a ficar doloridas por causa da falta de fluxo sanguíneo. No entanto, depois de cinco a dez minutos, a pele fica vermelha e a dor cessa. Com o frio, até nosso sistema nervoso fica mais lento. É por isso que algumas pessoas acham que seus dedos ficam mais rígidos e desajeitados, o que pode causar dificuldade até para abotoar o casaco, por exemplo. Nossa habilidade manual começa a ficar crítica quando a temperatura atinge a casa dos 12º. Já a sensibilidade ao toque é comprometida aos 8º. O corpo também reage ao frio tentando aumentar a produção de calor. A fonte mais importante vem da atividade muscular. É por isso que trememos, ou seja, "sacudimos" os músculos. O tremor pode aumentar em até cinco vezes a produção de calor.